E ainda há tempo de olhar no espelho, chegar bem perto e dizer: eu sou isso?
" " " " " " " " " " " " " : eu sou isso!
Maio já está no final e o que fizemos com aquilo que planejamos em dezembro? Houve comemorações depois do Carnaval ou o Rei Momo, agora devidamente plastificado e magro, encerrou tudo nos idos de fevereiro? Viver só faz sentido quando a acomodação é ausente e a falta inerente. Com ou sem rima, agora mais que nunca é preciso prosseguir. É preciso ir em frente porque daqui a pouco é julho e haverão tantas crianças maleducadas nos shoppings e nas praias sujas dessa cidade. É preciso ir em frente porque julho é mês de lembrar que não sou mais o menino esguio que andava com Klara, Rafinha e cia pelas noites do Recife Antigo, aquele menino que se vestia de preto e sem pensar em nada pensava em tudo. Julho será mês de lembrar que a adolescência já era e que daquele tempo Klara e Rafinha parmanecem em carne-viva, já os outros - a cia - deixaram de se abrigar na minha memória há tempos. Julho será o mês de perceber o quando mudei, o quanto não mudei, o quando quero mudar e o quanto não quero mudar. Mas, por enquanto, vamos dar adeus a maio e torcer pra que junho venha suave, pra que a violência alheia poupe nossos olhos e que essa cidade, esse país, esse mundo acorde sua vocação para o bem e para a luz.

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