PRELÚDIO
Ela sentia-se só. Sentia-se tão só que era capaz de morrer a qualquer momento, sem choro nem velas. Era domingo e ela sabia que os domingos eram terríveis para as gentes como ela. Então de súbito decidiu: vou. Sem pestanejar, arrumou-se toda. Vestido fuxico-agreste, batom vermelho, sandálias de couro, colônia de bebê, papoula na orelha e óculos escuros - sim, os oculos escuros eram indispensáveis, como ela costuma pensar. Totalmente entregue a sí, deu as costas pra casa de subúrbio-longe e tomou um gole fresco de ar-sujo. O mundo fora tornara-se o mundo dentro. Massa inerte. Movimentos imperceptíveis. Redoma de vidro. Aquário de um peixe só.
Amigo, o prelúdio anunciou um grande texto. Gostei da personagem contraditória, alguém entre as já anacrônicas "new hippies" do CAC e as atualíssimas suburbanas de Casa Amarela. Espero o restante...
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