Para Rafaela Barbosa, que sabe me ler como ninguém.
Para ler ao som de “A paz”, na voz de Zizi Possi.
Aqui o tempo não avisa
Caminha devagar como quem nada quer
Aqui o tempo é ar
Levíssimo enquanto submerge o amor
Aqui o tempo é dor
Que, impune, agoura o devir
Aqui o tempo é
Sem palavras, nem cor
Aqui somente se espera
Sobre as malas, com passagens em punhos
Aqui não há encontro
Encruzilhada perdida ao pé da montanha
Aqui você é sempre falta
Escondida, pulsas por baixo dos casacos
E de todas as peles
Aqui não há ligação
Apenas fio leve, trepidante sob o solo antigo
Aqui o tempo é urgência
Vai passar, vai passar...
Aqui sou eu agora
Voz rouca, pensamento vadio, pés descalços
Aqui é passageiro
Volto logo, volto, me espera
Amém
31 de Agosto de 2010
Driko Andrade
As palavras aconpanham nossa existência, elas nos permeiam, nos cercam, nos salvam e nos matam na mesma intensidade. Lucila Nogueira diz que "escreve para exorcisar fantasmas", Dickinson, por sua vez, diz que "os Poetas acendem Lâmpadas - mas eles próprios - se apagam". Escrever/ler é sempre um escapismo, uma segunda chance, um lapso no vácuo onde podemos recomeçar. Espero que, nessas esquinas virtuais, possamos, segundo o Caio Fernando Abreu, decifrar nossa própria paisagem interna.
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