E te ver novamente não me causou nenhuma emoção. És estranho. Completamente desconhecido de meu amálgama de coisas-vivas. Se durante aquele tempo, fostes dor e gritavas feito louco aqui dentro, agora, já não és mais que sussurro baixinho, quase não se escuta. És estranho. Embora teu rosto tenha permanecido inalterado, já não simbolizas tanto amor e devoção que outrora arrastastes de mim. És estranho. Os headphones continuam lá, mas eu me pergunto: ainda ouves as mesmas melodias que conquistaram minha alma? És estranho. E se ouves, seriam ainda encantadoras como foram? És estranho. Depois de tanto tempo, percebo que teu caminho é o mesmo, que o branco ainda escancara tua cara doce e ainda assim - és estranho. Estarás indo pra algum lugar que eu já não soubesse? Estarás voltando do lugar que eu desde antes sei? És estranho. Fostes sempre. És estranho. E continuarás.
Driko Andrade
Recife, 19 de outubro de 2010.
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