sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Três Letras e Apenas Uma Vogal

Para JWA

“Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar”.

Alvin L.


Ao som de Jewel


Quando olho pra você tenho apenas pena, ou menos que isso. Algo completamente irrotulável e indizível. Não que seja grande e não caiba em palavras não é isso não, mas é que de tão mínimo, de tão irrisório não caberia sequer numa mínima ascensão de um fonema qualquer que porventura saísse da minha boca. O que quero dizer, aliás o que não quero dizer mas sou obrigado pelo seu spectro que me acorda nessas manhãs cinzentas de julho, é que de toda forma você passou. Passou como um pássaro feio que ronda as janelas alheias que chega e parti sem o menor esforço ou dignidade. Não, não é raiva não. Como disse, de nada sei sobre teus inconstantes paradoxos sei apenas das nuances de minhas carências entorpecidas de cigarro e cerveja. Mesmo que tuas inicias estejam cravadas em meu peito aberto lavrando cicatrizes de sangue e musgo, nem me lembro mais de teu nome. Desse nome de monstro branco que por tantas vezes me tomou o espaço e me confundiu os sentidos, só restaram três letras banais e apenas uma vogal. Tem coisa mais chata que uma sigla cheia de consoantes? Te enquadro numa caixinha de guardar jóias feita de papel, papel barato por assim dizer, frágil e feia na sua total descartabilidade. Uma sigla pobre, cheia de consoantes que nada fazem desacompanhadas, mas que se vale de uma única vogal para existir-se assim lúdica, bonita, auto-suficiente, doce até, mas cercada de consoantes pra sempre.

Recife, 15 de Julho de 2006.

Driko Andrade.

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