sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Paisagens Internas

Para ler ao som de Marina Lima

Ávido, depois de um gole intenso de ar puro, retorno à vida, como quem brinda às escuras sobre um pretexto qualquer. Fazia um bom tempo desde a última vez que me sentira assim: despido & entregue ao desconhecido. Será esse o start tão de longe esperado? Pensava, enquanto digitava lento sobre os teclados negros. Mãos trêmulas, pensamentos caiados de branco, como uma casinha simples à beira da estrada-agreste. Quando a espera é longa, o encontro é urgente e cheio de clichés: suores frios, borboletas no estômago, palavras enviezadas pelo medo do erro e da fuga. A partir daqui, já não sou capaz de me esquivar de você. Já não posso querer outra coisa que não o seu beijo, o seu toque e o seu queixo. Adentro nesse labirinto coberto de emoções e, voraz, me lanço ao teu destino e à tua vontade. Tudo torna-se mais simples e por isso mesmo mais complicado aqui dentro, nessa minha paisagem interna cheia de senhas, combinações, alarmes, trancas, segredos, sensores de movimento, câmeras em high definition e tudo o mais que o tempo encarregou-se de construir nesse roteiro denso, ambientado por tramas complicadas e personagens difíceis. Então, para não parecer mais hermético do que o de costume, tento, na busca de algum sucesso, ser mais direto:

Não podias ter chegado em hora mais oportuna, o teu sorriso pagou o resgate, me libertou do cativeiro que por anos fui forçado e estar. Sou teu servo, devo-te a minha vida, posto que me salvaste. Não quero ser somente compania, quero que tenhas urgência de mim, assim como tenho de ti. Quero encontros cheios de expectativa que nunca serão frustradas, quero ser exatamente o que precisas, quero que me olhes com olhos cheios de ternura, que me pegues suave pelas mãos e me conduzas rumo ao inesperado, pois sei que contigo estarei seguro, mesmo quando o tempo se fechar e ouvirmos de longe o barulho estrondante que vem do céu. Quero que me beijes com tanta vontade que os segundos sejam eternos como a luz. Quero que tenhas uma saudade louca de mim, que não consigas pensar em outra coisa a não ser o meu nome e os meus gestos. Quero tanto, mas tanto, que sou capaz de rezar a todos os deuses desse ou de qualquer outro país. 

Depois de tanto ensaio, arranco o telefone da mesinha de cabeceira e digito rápido teu número. Nervoso, espero me atenderes com a voz doce que é capaz de me alentar dos medos mais duros. Três ou quatro toques depois, responderás manso e cheio de amor "Alô". Jogo no chão o texto que tão cuidadosamente preparei pensando em ti, pensando em nós. E simplesmente digo: "Eu te amo".

Recife, 08 de outubro de 2010.

Driko Andrade

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